A bola Jabulani sendo tratada como uma divindade

A África do Sul é o lugar do mundo onde a bola que pega fogo não é apenas a que chamam de "sol". A de nome Jabulani, também, mais conhecida como "bola da Copa". Pois Jabulani anda com as orelhas quentes, fervendo, queimando.

“Você vai chutar ou cabecear e a bola muda, se meche. Essa bola é sobrenatural, não é possível”, define o craque Luis Fabiano.

“A bola é horrível, muito ruim. Parece com aquelas bolas que se compra em supermercado”, compare o goleiro Julio César.


Mas existe um local da África do Sul em que Jabulani não é só "falada", mas escrita, com todas as letras. É um bairro do distrito de Soweto. Se a bola desse uma voltinha por lá, poderia arejar a cabeça, levantar a abalada autoestima antes da Copa.

Não foi tão simples. Tivemos que pegar Jabulani pela mão e ainda apresentá-la para os jabulanenses.

"Não acredito. É a bola da Copa. Não pode ser a oficial, é de verdade mesmo?", perguntou o primeiro a tocá-la.

Mas logo veio quem a reconhecesse e a tratasse como um presente, a beijasse e a partilhasse, como se fosse uma taça que ninguém deixa cair.

Quem caiu para segundo plano e não gostou foi a namorada de um dos jogadores. Mas ele não ficará com a bola por muito tempo. Jabulani não resistirá às cantadas dos muitos concorrentes.

Para quem joga diante do lixo, é um luxo jogar com a bola oficial da Copa do Mundo de 2010. Em Soweto, na África do Sul, onde viveu Nelson Mandela, os campos de pelada são muito semelhantes aos das comunidades do Brasil, onde muitos jogadores da seleção brasileira pisaram quando eram crianças.

O jogo só podia ser uma pedreira em Jabulani. Brasil e Argentina na final do campeonato das escolas públicas de Soweto.

Com os afrobrasileiros demonstrando precisão no chute a gol e firmeza na defesa, sorte deles Dunga não estar por perto.

O segredo da vitória era conquistar Jabulani, que a essas alturas já estava se "sentindo", com tanta gente pegando no pé.

A estratégia do Brasil de Soweto foi fazer de Jabulani uma dama, tratar com carinho e cavalheirismo sem limites. Mas exageraram na dose. Fazendo Jabulani relembrar o lugar para onde os jogadores queriam mandá-la.

Sobrenatural é ter que compartilhar o escanteio com quem está catando lixo, ter que comemorar com a torcida da imaginação, fazer gol e estufar o mato. Jabulani ter o poder de desaparecer e ressurgir.

Sobrenatural é os argentinos darem chapéu, vencerem por 3 x 1 e desfilarem como campeões da Copa escolar. Faltaram até palavras para as hermanas sul-africanas “hablarem”.

Mas quem torcia pelo Brasil não perdeu o rebolado, porque sobraram boas notícia de Jabulani. O atacante Kalu disse que Jabulani vai ser boa para Luis Fabiano e também para Robinho e Kaká, porque a Jabulani é confortável, veloz, suave e leve.

Mais forte depois de ter sido pisada e recuperado a autoestima, Jabulani está pronta para carregar a Copa nas costas. Agora é esperar para saber qual seleção Jabulani vai convidar para a festa que leva o seu nome, que significa "celebração".

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